VOCÊ S/A lança comunidades virtuais no Portal Administradores

A Revista VOCÊ S/A, maior publicação brasileira especializada em carreira e finanças pessoais, escolheu o Portal Administradores, principal veículo on-line voltado a Administração e Negócios, para operar o seu grupo exclusivo de comunidades, o VOCÊ NA REDE. A parceria entre os dois veículos cria um player único no Brasil no que se refere a redes sociais voltadas à área de gestão e carreira.

O que é o VOCÊ NA REDE?

VOCÊ NA REDE é o grupo de comunidades dos leitores da VOCÊ S/A. Seu objetivo é dar impulso ainda maior naquilo que a revista acredita ser fundamental e decisivo na vida de qualquer profissional neste século 21: o relacionamento.

O VOCÊ NA REDE oferece aos seus usuários a chance de estabelecer conexão pessoal com a revista e com outros leitores e com usuários do Portal Administradores, de participar de eventos exclusivos da revista, além de ter acesso a descontos em eventos e produtos da marca.

Para conhecer o VOCÊ NA REDE, basta acessar o link www.administradores.com.br/vocenarede, escolher a comunidade e clicar em PARTICIPAR. (É necessário ser inscrito e estar logado no www.administradores.com.br com o e-mail e senha  cadastrados para poder participar). O cadastro é inteiramente gratuito.

Fonte: www.administradores.com.br

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Empreendedor: o valor do Plano de Negócios

André Raduan  - Cia. da Informação

Muitas pessoas acham que só precisam de um “Plano de Negócios” (P. N.) quando necessitam buscar dinheiro em bancos ou em fundos de investimento. Um “P. N.” é muito mais que um meio para conseguir dinheiro; é um guia para lhe ajudar a definir e atingir os seus objetivos.

Da mesma forma que não se deve começar uma viagem sem ter um mapa em mãos, começar um novo negócio com um “P. N.” para guiá-lo é essencial. Naturalmente que um “P. N.” não lhe assegurará o sucesso, mas este poderá ajudá-lo a evitar motivos comuns de fracasso em negócios, tais como falta de capital de giro ou identificar um mercado adequado.

Enquanto o empreendedor realiza as pesquisas e prepara o seu “P. N.” descobrirá onde estão os pontos fracos de sua idéia e como poderá corrigi-los. Durante tal processo também descobrirá diferentes áreas potenciais para o seu negócio, que não tinham sido levadas em conta em um primeiro momento, e como lucrar com isto. Somente montando um completo “P. N.” é possível perceber se a idéia é realmente válida e que merece o seu tempo e investimento.

Mas, afinal, o que é o Plano de Negócios e, mais importante do que isto, como montar um? De forma simples, um “P. N.” engloba os seus objetivos de negócios, as estratégias que serão utilizadas para atingi-los, potenciais problemas que poderão vir a ocorrer e as respectivas maneiras de resolvê-los, a estrutura organizacional (incluindo os cargos e responsabilidades) e, finalmente, a quantidade de capital necessária para financiar o seu negócio desde o início até o ponto de equilíbrio.

Podemos dividir um Plano de Negócios em três partes:

  1. A primeira é o conceito do negócio, uma espécie de “debate” sobre a indústria em que está inserido, sua estrutura de negócios, seu produto ou serviço, e como o empreendedor planeja fazer para que o negócio seja um sucesso.
  2. A segunda é a seção sobre o mercado, na qual devem ser descritos e analisados os potenciais clientes: quem e onde eles estão, o que os faz decidir pela compra e assim por diante. Aqui também é descrita a concorrência que enfrentará e como se dará o posicionamento da empresa para “ganhar o jogo”.
  3. Finalmente, a seção financeira, que contém dados sobre retiradas previstas, fluxo de caixa previsto, balanço, análise para se chegar ao ponto de equilíbrio e outros.

Entrando em maiores detalhes dentro dos pontos descritos acima, um Plano de Negócios consiste em seis elementos principais:

  1. Sumário Executivo: nesta parte encontra-se o propósito da empresa; sua visão; e o resumo do que estará detalhado no “P. N.”, ou seja, um resumo de cada uma das seções mencionadas aqui abaixo.
  2. Quadro Gerencial: As pessoas, em especial os principais gerentes da empresa, são de grande interesse dos potenciais investidores, parceiros e empregados.
  3. Produto ou Serviço: O design do produto, o detalhamento da tecnologia e especialmente as vantagens competitivas no mercado.
  4. Marketing: Aqui serão mencionadas as estratégias de posicionamento, preço, promoção do produto e/ou serviço para os potenciais clientes.
  5. Operações: Talvez o negócio seja fortemente baseado em manufatura, logística ou serviço ao cliente. Os leitores de seu plano desejarão saber o que será “oferecido” na área de Operações.
  6. Dados Financeiros: conforme já mencionado, todas as informações relativas às movimentações da empresa em “números”.

A partir destas dicas resumidas, o empreendedor pode dar os primeiros passos para o desenvolvimento de um plano de negócios, e, principalmente, ter uma idéia de como desenvolvê-lo. Caso deseje maiores detalhes de como montar um Plano de Negócios, a sugestão é naveguar no www.sebrae.com.br/momento/quero-abrir-um-negocio, clicando na seção “Como Elaborar um Plano de Negócios”.

Fonte: www.administradores.com.br

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Projeto prepara administradores para atendimento a pequena empresa

Objetivo é permitir, por meio de consultorias, que esses profissionais identifiquem dificuldades e levem conhecimento técnico para negócios de micro e pequeno porte

Capacitar administradores para que atuem junto a micro e pequenas empresas na identificação de problemas e na busca de soluções. Esse é o objetivo do programa Agente de Gestão, parceria entre o Sebrae e o Conselho Federal de Administração (CFA). O Agente de Gestão começou a ser implementado em caráter piloto no fim de maio. O programa piloto será realizado pelas unidades estaduais do Sebrae e Conselhos Regionais de Administração (CRA) em Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal.

O Agente de Gestão é inspirado no Agente Comunitário de Saúde, profissional ligado ao Sistema Único de Saúde (SUS) que assiste a um determinado número de famílias, em uma base geográfica definida. “De forma análoga, o Agente de Gestão vai atuar na ‘saúde’ da empresa, o que contribuirá para que ela tenha desenvolvimento sustentável, sobreviva e possa se manter no mercado”, observa Ivana Lima, gestora do projeto-piloto pelo Sebrae. O projeto teve início com a capacitação de 25 administradores de empresas em Mato Grosso do Sul, de 31 de maio a 6 de junho, e mais 25 no Distrito Federal, de 22 a 28 de junho. “Esses profissionais irão prestar consultoria a empresas selecionadas pelo Sebrae nos estados dos setores de Comércio, Indústria e Serviços”, informa Ivana Lima.

Roberto Carvalho Cardoso, presidente do Conselho Federal de Administração, destaca a importância das micro e pequenas empresas para o País e o papel do projeto Agente de Gestão para o setor. “As MPE constituem um segmento muito forte na economia brasileira. A presença marcante das micro e pequenas empresas é uma característica da economia de países desenvolvidos”, ressalta.

O presidente do CFA diz que a parceria entre sua entidade e o Sebrae vai colaborar para a sobrevivência dos negócios de micro e pequeno porte. “As empresas precisam de conceitos de administração para suplantar a fase inicial, nos primeiros anos de atividade, quando estão mais expostas à mortalidade”, afirma Roberto.

A capacitação do Agente de Gestão tem duração de 56 horas. Cada administrador capacitado atende a duas empresas. No total, houverá atendimento a 50 MPE do DF e 50 de Mato Grosso do Sul até o fim do ano. Para participar do projeto, os administradores, que foram selecionados por meio de chamada pública, precisavam ter pelo menos três anos de formados e dois anos de experiência comprovada em consultoria empresarial.
Na capacitação dos administradores são abordados os temas ‘O CFA, o Sebrae e as MPE’, ‘Entendendo o cliente e seu negócio’, ‘Entendendo o cliente e seu negócio - praticando os conceitos’, ‘ Conhecendo o Diagnóstico Empresarial’, ‘Simulação da aplicação do Diagnóstico’, ‘Realização de Diagnóstico Empresarial’ e ‘Apresentação do Diagnóstico’.

O Agente de Gestão vai suprir uma carência das MPE no acesso a consultorias e permitirá um atendimento mais personalizado”, explica Ary Ferreira Júnior, gerente da Unidade de Orientação Empresarial do Sebrae/DF.
Leandra da Costa, gerente da Unidade de Atendimento Individual do Sebrae/MS, enfatiza a importância da capacitação que beneficiará os administradores de empresas. “O curso possibilitará que um número de profissionais vá a campo sabendo analisar as principais dificuldades e necessidades das empresas”, afirma Leandra.

Segundo a gerente, uma das dificuldades dos empresários de MPE é justamente agregar informação ao seu negócio, fator que será trabalhado pelo projeto. “O Agente de Gestão estará habilitado a propor soluções de simples aplicação, entre elas as ferramentas já oferecidas pelo Sebrae na internet”, assinala.
Carlos André Almeida, vice-presidente do CRA/DF, lembra que boa parte dos problemas relacionados à sobrevivência de micro e pequenas empresas se relacionam a problemas de gestão, custo e marketing. “Esses problemas refletem a falta de capacitação”, comenta.

Na visão de Carlos André, os conhecimentos que os administradores levarão às MPE atendidas darão novo vigor a esses empreendimentos. “Espírito empreendedor é importante, mas é necessário trazer uma visão técnica ao negócio, proporcionada pela administração de empresas, com um planejamento estratégico nas diversas áreas”, frisa.

Para Eliane Toniasso, presidente do CRA/MS, a metodologia oferecida pelo Sebrae para preparar os administradores nivela o conhecimento destes profissionais e permite o acompanhamento das consultorias oferecidas. “A consultoria serve para orientar os empresários na gestão dos seus processos, abre novos horizontes e contribui para o aperfeiçoamento técnico e gerencial do empresário”, afirma Eliane.
O CRA/GO está solicitando oficialmente ao CFA a inclusão do Estado no programa.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

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Administração: como vincular a teoria com a prática (e vice-versa)?

Leandro Vieira, editor do site www.administradores.com.br, realizou uma entrevista com o Prof. Walter Nique, da UFRGS e da a Ecole Supérieure de Commerce de Troyes (França). O Professor Nique concorda que, para ensinar alguém a administrar, é fundamental SABER administrar.

Nesse bate-papo, Nique oferece exemplos de como é possível tornar qualquer disciplina do curso de Administração em uma experiência prática.

Administração: como vincular a teoria com a prática (e vice-versa)?

Para o Prof. Nique, o ensino da Administração requer vivência anterior em organizações públicas ou privadas: “aqueles que entrarem em uma sala de aula com as mãos abanando em termos de experiência, serão ejetados rapidamente do sistema”, afirma.

Administradores: Muitos alunos de Administração se queixam que o curso é muito teórico e carece de prática. O senhor concorda?

Prof. Nique: Sim, concordo plenamente. A prova disso é que minhas aulas estão estreitamente vinculadas à realidade. Penso que QUALQUER matéria ou disciplina - e mesmo as mais árduas como estatística, matemática, entre outras - podem e devem ser vinculadas à realidade. Lembro-me que, no início de minha vida acadêmica, lecionava a disciplina Pesquisa Operacional para as turmas de engenharia da UFRGS. No programa, constavam as medidas de tendência central e de dispersão (que são os primeiros passos da estatística). Para criar o link entre a teoria e a prática, eu mandava os alunos medir e buscar a altura média dos porto-alegrenses (homens e mulheres) e saber qual a percentagem de cada sexo costumava ir aos estádios de futebol para que, de posse desses dados, eles projetassem arquibancadas onde quase ninguém (97% das pessoas) que estivesse sentado à frente de alguém atrapalhasse a visão do jogo. Este é um típico exemplo que comprova que se pode ajustar qualquer disciplina para que os alunos façam o amálgama realidade/teoria.

“A academia é como um Manual de Instruções que ninguém lê”

Administradores: No Brasil, é muito comum a academia e mercado torcerem o nariz um para o outro. O que se produz na academia (inclusive na área de Administração) permanece restrito ao meio acadêmico. O que perdemos com isso?

Prof. Nique: Isso acontece, e é um grande absurdo. Se a nossa missão como universidade é capacitar os nossos alunos para poderem atuar como executivos e empreendedores no mercado (99% dos alunos da graduação vão para as empresas enquanto apenas 1% se dirige ao ensino e à pesquisa), como abstrair-se deste mesmo mercado? Essa prática, que até admito que existam alguns professores que assim agem, é o mesmo do que tomar veneno e esperar que o inimigo morra.

As pontes de aproximação entre a academia e o mundo dos executivos existem, mas elas não são utilizadas. Os bancos de dados de teses, trabalhos, monografias, etc. estão à disposição por internet e vários outros meios. Por algumas razões, até de desconhecimento, os executivos não possuem a reação de vasculhar o que se fez para não ter que inventar a roda novamente. Aliás, eles pensam que o caso deles é específico e único - como muitas vezes fazemos quando nossos filhos nos preocupam. No fundo, a academia é como um Manual de Instruções que ninguém lê…

Administradores: É muito comum entre aqueles que optam por seguir a carreira acadêmica seguirem a seguinte trajetória: graduação>mestrado> doutorado. Entre a graduação e o mestrado, não têm nenhuma experiência no mercado e, após o mestrado, começam logo a dar aulas. Como você encara isso?

Prof. Nique: Em relação e esse percurso clássico de formação de professores (graduação/mestrado/doutorado), aqueles que entrarem em uma sala de aula com as mãos abanando em termos de experiência nas organizações serão ejetados rapidamente do sistema. Aliás, toda a formação dos professores está centrada na pesquisa, que é a busca do conhecimento da realidade, o que necessariamente implica em atuar nas organizações - tanto no conhecimento da realidade com um quadro teórico para o entendimento, como para realizar trabalhos de consultoria, por exemplo. O sujeito que não percorre este caminho está por fora da realidade, é um alienado sem chances de sucesso em qualquer universidade digna deste nome. O tripé da formação de professores de Administração é o ensino, a pesquisa e a consultoria, portanto sempre em contato estreito com a realidade.

Administradores: Em resumo: Para ensinar a administrar é necessário saber administrar?

Prof. Nique: Penso que sim. Administrar é tomar decisões - e tomar decisões necessita um processo de aprendizagem que tem necessariamente uma dupla entrada: a teoria e a prática. Muitas vezes, quando se hierarquiza alternativas para decisão, é muito fácil, na sala de aula ou teoricamente. Entretanto, quando chega o momento real de decidir nas organizações, a conversa é um pouco diferente, pois nunca se leva em conta todos os aspectos políticos (e política é a arte da relação) internos e externos. Isso é fundamental. Tratar com seres humanos requer muita prática, observação e perspicácia.

Administradores: O senhor disse que é possível fazer o vínculo da teoria com a prática em qualquer disciplina do curso de Administração. Como o senhor faz esse link em suas aulas?

Prof. Nique: Vou citar o exemplo da disciplina Pesquisa em Marketing, na qual a turma constrói na prática – do começo ao fim – uma pesquisa de marketing. Essa disciplina que desenvolvemos na Escola de Administração da UFRGS tem um método pedagógico bastante diferente em relação à forma como é ministrada em outras Escolas de Administração do Brasil e mesmo do exterior. Tenho plena convicção de que, se o aluno não consegue ver os resultados nos processos desenvolvidos em sala de aula, ele perde completamente o interesse na matéria. Além disso, o que é pior, no exercício de sua profissão, ele terá preconceitos em relação àquela área. O conhecimento, para mim, é um processo solitário que cada indivíduo desenvolve conforme suas capacidades, valores pessoais e objetivos de vida. A construção deste conhecimento é necessariamente uma mescla dinâmica da teoria com a práxis.

No primeiro encontro com os alunos, discutimos o processo que teremos durante o semestre e proponho que eles discutam possíveis temas que serão o objeto da pesquisa que irão realizar durante o semestre. Duas coisas que faço questão de salientar: o tempo dispensado à disciplina e a característica de utilização dos resultados pela comunidade (no caso, sempre se passa em Porto Alegre. por problemas de aplicação em outras áreas geográficas). Em relação à primeira, eles sabem que no mínimo, os mesmos quatro créditos (60 horas) eles terão de trabalho fora da sala de aula. A sala de aula é o espaço para o desenvolvimento teórico e para as perguntas e dúvidas que necessariamente surgirão.

No que diz respeito ao segundo item, não vejo sentido algum um grupo de pessoas dispensar gratuitamente uma enorme energia para satisfazer necessidades comerciais de uma ou outra organização cujo fim é o lucro. A UFRGS é uma universidade pública e gratuita e, portanto, aqui vemos uma oportunidade de fazer um gesto à comunidade que, através de seus impostos, financia o ensino que os estudantes estão usufruindo.

Após dois ou três encontros, definimos o tema a ser abordado e começamos a definição do(s) objetivo(s) da pesquisa. Os alunos se dividem em grupos para racionalizar o processo de pesquisa. Saliento que não existe nenhuma indicação por parte do professor, e os alunos decidem participar em quantos grupos se lhes aprouver. Há um grupo coordenador, um grupo que montará a busca e seleção dos dados secundários, um outro que montará o grupo motivacional ou “focus group”. A partir destes dados, haverá a construção de um questionário que é tarefa de outro grupo. Paralelamente, existe um grupo para preparar o processo amostral que, necessariamente, será aleatório, e todos os procedimentos operacionais de aplicação do questionário. Depois de pré-testar o instrumento de coleta de dados, TODOS os alunos aplicam 20 questionários, o que nos faz uma amostra de umas 600 respostas. Cada estudante digitaliza seus 20 questionários, depois de haver participado de três aulas de manejo do software SPHINX (específico para pesquisas de marketing), e existe um grupo que fará a consolidação do banco de dados e a análise dos dados. Terminada a análise e discussão com o conjunto dos alunos, os coordenadores dos grupos reúnem-se com a coordenação para a construção do relatório de pesquisa que será disponibilizado através do site da disciplina e, às vezes, entregue a autoridades que se achar pertinente. Finalmente, este último grupo responsável pelo relatório, faz uma síntese (máximo de 10 páginas) apoiado por uma apresentação em “power point”, para divulgar para toda a turma em sala de aula. Faz-se um documento também para os meios de comunicação, de maneira a dar a maior visibilidade possível aos resultados obtidos. Seguidamente, os alunos são convidados a participar de programas inteiros de televisão ou de paginas inteiras de reportagens de jornais de grande circulação do Rio Grande do Sul. A discussão inicial do tema tende a privilegiar os assuntos mais na moda e, por conseqüência, tem espaço garantido na mídia.

No final, gosto muito de ressaltar, nesta disciplina não existe “copiar/colar”, prática bastante comum em algumas disciplinas do curso… Nesta disciplina, eles criam conhecimento que não existia anteriormente. E todos ficam realmente muito orgulhosos em ver seu conhecimento sendo entregue à coletividade.

Administradores: Muito interessante! De que forma isso impacta diretamente na formação dos alunos, futuros administradores?

Prof. Nique: Posso citar alguns resultados bastante evidentes. Vários alunos desenvolveram projetos de criação de empresas de Pesquisa em Marketing e de Consultoria. Cito, por exemplo, a Focal, desenvolvida pelo Gustavo Campos (http://www.focal.com.br/), e a Destaque, criada pelo Marcelo Godói (http://www.destaque.inf.br), duas grandes referências de pesquisa no Rio Grande do Sul.

Em termos de feed-back, vários ex-alunos me mencionaram que, apesar de não haver feito mais pesquisas como a desenvolvida na disciplina, eles contratam, nas organizações onde atuam hoje em dia, serviços de empresas especializadas, e esta formação contribui enormemente para discutir cada projeto de pesquisa bem como fazer a crítica dos resultados. Este conhecimento é particularmente útil quando da decisão de adquirir esses serviços entre várias empresas/projetos.

Administradores: Quais metodologias adotadas em outros centros de excelência no ensino da administração do mundo que poderiam servir de referência para as instituições brasileiras?

Prof. Nique: Em termos de métodos de ensino adotados no ensino da administração, além do clássico de Harvard com seus estudos de caso, eu gostaria de salientar um curso que julgo ser o melhor (e medi bem as minhas palavras quando disse “o melhor”) curso de administração da América. Trata-se do curso Gestão para a Inovação e Liderança (http://www.unisinos.br/nova_graduacao/inovacao) da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS. Desde logo, ressalto que sou professor da UFRGS, e não mantenho vinculos empregaticios com a UNISINOS, o que fortalece a minha legitimidade em fazer esta afirmação.

Este curso está concebido sobre duas colunas principais. A primeira é o tipo de abordagem, pois ela se diferencia da tradicional que é sob forma de disciplinas e estuda os fatos dos diversos prismas presentes. Por exemplo, vamos falar em renascença e, portanto, a “aula” será coordenada por um economista, um historiador, por um cientista político e por algum professor de arte. Todos os professores, isto é em conjunto na mesma sala, discutirão e apresentarão a realidade da renascença desde sua perspectiva. Posteriormente, os alunos vão às organizações (eu disse organizações por ser muito mais amplo que empresas) ver os vínculos com aquilo que foi discutido em aula. Este é um método absolutamente congruente com a realidade pós-moderna do hiper-espaço e totalmente inovador. A segunda coluna, decorrente da primeira e aflorada há pouco, é a prática sistemática nas organizações daquilo que é discutido em classe. E estas são em todos os sentidos e hierarquias e geografias… O assunto pode ser ligado ao processo produtivo que pode ser comparado entre o que existe no Rio Grande do Sul, na Argentina e no Uruguai, ou em outros estados do Brasil. Os alunos vão para os países citados, além do Chile, Canadá e Estados Unidos para estágios curtos de duas ou três semanas observando, trabalhando, discutindo nos diversos níveis funcionais da administração. Eu sou um grande entusiasta deste curso e lastimo não haver podido fazer um benchmarking aqui na Escola de Administração da UFRGS.

Fonte: Redação do www.administradores.com.br.

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Carta Aberta aos Estudantes de Administração

Por Leandro Vieira

Que tipo de administrador a sua instituição de ensino deseja que você se torne? Não se preocupe se não souber responder: a maior parte das faculdades brasileiras de Administração ainda não parou para pensar no assunto.

A coisa funciona mais ou menos da seguinte forma: cada instituição reúne um grupo bastante eclético de professores, cada qual com sua especialidade e com características bastante peculiares que o distingue dos demais. Dessa heterogeneidade e diversidade de pensamentos é que vem a riqueza de sua formação. Você aprende a extrair de cada mestre as melhores lições. O outro lado da moeda é que raramente existe algum consenso quanto ao perfil de administrador que a instituição deve formar, e aí quem sai perdendo é você.

Muitas instituições, ao contratarem seus docentes, apenas lhe entregam uma caderneta, um plano de ensino feito por outro professor, explicam os procedimentos burocráticos básicos (“você deve bater o ponto até cinco minutos antes de começar a aula, deve preencher o diário de classes com o conteúdo apresentado, deve colocar exatamente um pontinho no quadradinho referente ao dia, deve fazer três avaliações por semestre, blábláblá…”), e boa noite e boa sorte. Nenhum comentário sobre a missão da instituição, ou o que eles esperam do professor. A ausência de uma visão compartilhada acaba bagunçando todo o coreto. Os alunos ficam à mercê do perfil individual de cada professor. Às vezes, dão sorte de encontrar um professor pra frente, vocacionado, com aulas dinâmicas e ótimo conteúdo. Outras, dão o azar de topar com um profissional desmotivado, desatualizado e que não compreende a amplitude de seu papel como educador.

Falamos tanto em gestão do conhecimento, mas me responda uma coisa: o seu professor de Administração Financeira sabe o que você está vendo nas aulas de marketing?

Pois é… Parece que a comunicação não anda fluindo muito bem em boa parte dos cursos de Administração de nosso país. Ensina-se uma coisa, pratica-se outra. Mas podemos contornar esses problemas, e você pode exercer um papel importante nesse processo de mudança.

Talvez você não saiba o tipo de administrador que a sua instituição deseja que você se torne, mas VOCÊ, pelo menos, deve saber.

Primeira dica: não se restrinja, jamais, a fazer apenas ao que lhe é cobrado. É muito comum encontrarmos professores “light”, que não exigem o suficiente e são condescendentes com os alunos. A turma adora, não aprende nada e acaba passando com nota boa. Na verdade, desperdiçam uma ótima oportunidade para adquirir conhecimento e desenvolver competências. Administração, no geral, é um curso fácil, enquanto que administrar é extremamente complicado. Se você não aproveitar a faculdade para desenvolver realmente as habilidades que um administrador precisa ter, terá dificuldades para ingressar no mercado posteriormente ou dar respostas na organização que vier a trabalhar. Apresentar um trabalho em grupo, por exemplo, é uma oportunidade ímpar para aprimorar sua capacidade de comunicação, trabalhar em equipe, exercer liderança e de superar expectativas. Administradores são obrigados a fazer isso o tempo o todo.

Segundo: aproveite todas as oportunidades que a instituição oferece. A coisa não se restringe à sala de aula. Muitas instituições oferecem programas de iniciação científica e de monitoria, por exemplo. O aluno que participa dessas atividades aprende a pesquisar, escrever, fica mais inteligente e, acredite, isso conta pontos lá na frente, depois da faculdade.

Terceiro: participe de uma empresa júnior. Essa é a melhor forma de aprender na prática tudo aquilo que um administrador precisa saber. Acompanho de perto o trabalho de muitas empresas juniores e, devo admitir, muitas delas não deixam nada a desejar às empresas de consultoria profissionais. Normalmente, os participantes de uma empresa júnior têm carreiras brilhantes, pois já saem da faculdade com experiência, auto-confiança e com uma bela rede de contatos.

Quarto: leia bastante. Faça da leitura um hábito. É um erro pensar que apenas praticando é que se aprende. Essa é uma meia verdade. Você deve ter um excelente embasamento teórico e saber aplicá-lo na prática.

Quinto: corra, Lola, corra! Procure formas de se aprimorar sempre. Faça cursos de extensão, aproveite seus fins de semana para aprender algo novo, viaje e, por favor, não esqueça de aprender outros idiomas. Inglês é fundamental, mas saber outras línguas além dessa, com certeza, irá lhe abrir mais portas.

Sexto: seja legal. Já escutei algumas vezes em sala de aula algum aluno falar que ali são “todos concorrentes”, pois irão competir por um lugar ao sol mais na frente. Besteira. Sei que o mundo é extremamente competitivo, mas as pessoas cooperativas são muito mais queridas - e acabam levando vantagem sobre os individualistas e mesquinhos. Inclusive, algumas organizações, como o Google, já aplicam diversas técnicas em seus processos de seleção para identificar – e descartar – os malas de plantão.

Por fim, lidere movimentos de mudança em sua instituição. Não fique esperando melhorias do tipo top-down (de cima para baixo). Muitas instituições de ensino estão apenas enroscadas no catatau de processos burocráticos que criaram ao longo dos anos. Os paradigmas estão aí para serem quebrados. Lembre-se de que você é parte da instituição. No fim das contas, você, os seus professores, coordenadores e diretores, estão no mesmo barco. Qualquer um pode dar sua contribuição e deixar seu legado. Foi-se o tempo em que as melhores estratégias saíam apenas das cabeças do presidente ou dos membros iluminados do conselho. Muitas das grandes idéias que revolucionaram o mundo partiram de pessoas envolvidas diretamente com o processo. Se você consegue identificar falhas e – o mais importante – consegue enxergar soluções para os problemas identificados, você pode ser um importante agente de mudança. Todo mundo irá ganhar com isso, inclusive você.

Pronto para começar?

Sobre o Autor:
Leandro Vieira é o criador e Editor do Portal www.Administradores.com.br . Mestre em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, certificado em Empreendedorismo pela Harvard Business School e MBA Internacional em Marketing, pelo IPAM - Instituto Português de Administração e Marketing. Administrador de Empresas, formado pela UFPB e Bacharel em Direito pelo UNIPÊ. Escreve também o Blog Administre-se para a Revista VOCÊ S/A.

Fonte: www.administradores.com.br

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Gadgets no trabalho: a fronteira porosa entre tecnologias corporativas e de consumo

Steve Jobs, CEO da Apple, diz que as otimizações mais recentes do software utilizado pelo iPhone, a ser lançado em junho, tornarão o aparelho mais palatável para as empresas americanas. Em 11 de março, a Oracle lançou um aplicativo de gestão de relacionamento on-demand com o cliente que imita sites de grande popularidade como o Facebook e trabalha em conjunto com o Google ou Yahoo em versões personalizadas. Em 8 de abril, a IBM anunciou o lançamento de um portfólio de mashups [sites ou aplicativos de Internet que usam conteúdo de mais de uma fonte para criar um novo serviço] que combina softwares corporativos com sites populares de Internet como o Google Maps. O que há de comum entre esses dois produtos é o fato de que começam a desaparecer os limites entre as tecnologias corporativas e de consumo.

A porosidade que se observa na fronteira entre os aplicativos corporativos e os de uso pessoal é conhecida como consumerization por empresas de pesquisas tecnológicas como a Gartner e por executivos da Microsoft. Esse fenômeno indica que as tecnologias de consumo — como as ferramentas de redes sociais, conteúdos gerados pelo usuário e wikis (softwares de Internet que permitem aos usuários criar conteúdos coletivamente) — entram cada vez mais no dia-a-dia das empresas americanas. Esses aplicativos voltados para o consumidor estão sendo usados para criar softwares mais rapidamente, compartilhar conhecimentos no âmbito da empresa, monitorar projetos e tornar os sistemas de informações corporativos mais acessíveis aos funcionários. De acordo com Steve Prentice, analista da Gartner, a inovação atualmente é obra do consumidor e de suas tecnologias favoritas. “O consumidor assume cada vez mais o controle do processo. É ele o responsável pelas especificações tecnológicas, por rupturas e pela modificação do equilíbrio de poder”, observa.

Especialistas da Wharton também reconhecem que a tecnologia voltada para o consumidor tem sido usada com uma freqüência cada vez maior pelas empresas nos últimos anos. São características dessa nova tendência o surgimento de jovens profissionais versados em tecnologia — chamados de “nativos digitais”, já que se trata de uma geração que cresceu em ambiente de tecnologia digital —, predomínio de custos mais baixos e a necessidade de inovar rapidamente utilizando aplicativos de Internet. Contudo, o fenômeno de consumerization coloca um desafio ao departamento de tecnologia tradicional das empresas. Antes, as empresas diziam qual software e hardware deveriam ser utilizados no ambiente de trabalho. Hoje, a escolha da tecnologia está se tornando cada vez mais democrática, uma vez que o peso dos trabalhadores nas decisões corporativas cresce continuamente. A tecnologia não pode ser definida como algo exclusivamente corporativo ou de uso pessoal do consumidor, diz David Hsu, professor de administração da Wharton. “Há uma convergência entre aplicativos corporativos e de consumo. As fronteiras desapareceram.”

O que não se sabe é se a invasão da empresa americana pela tecnologia de consumo deverá persistir. Algumas tecnologias, como, por exemplo, a Research in Motion do BlackBerry, começaram dentro da empresa e se tornaram sucesso de público posteriormente. Os laptops pequenos e ultraleves começaram também dentro da empresa e só depois conquistaram o público. “Há um fluxo e refluxo, um vaivém. A inovação era obra das empresas, mas em meados dos anos 1990, a tecnologia de consumo tornou-se dominante”, diz Andrea Matwyshyn, professora de estudos jurídicos e de ética nos negócios da Wharton.

Por enquanto, executivos da área de tecnologia dizem que o consumidor está no comando. “As formas pelas quais as pessoas querem interagir no ambiente corporativo está mudando”, disse Steve Ballmer, CEO da Microsoft, durante palestra proferida no congresso MIX08 promovido pela empresa em Las Vegas, em 6 de março. “O uso de mensagens instantâneas é cada vez maior. Houve uma época em que o e-mail era pouco comum na empresa.” A adoção da tecnologia de consumo no ambiente corporativo está em “fase inicial”, acrescentou Ballmer, salientando que a Microsoft vem desenvolvendo ferramentas de fácil utilização pelo consumidor em aplicativos da empresa, como o software Sharepoint para servidores, que permite às empresas compartilhar interiormente informações e documentos.

Observamos a convergência de tecnologias entre esses dois segmentos [consumidor e empresa], já que as necessidades do usuário vêm convergindo”, diz Christian Terwiesch, professor de gestão de operações e de informações da Wharton. Os trabalhadores, por exemplo, insistem para que a tecnologia corporativa — por exemplo, uma ferramenta de busca dentro da empresa — seja de fácil utilização pelo usuário, tal como o motor de busca do Google.

[Leia o artigo completo]

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O papel do Administrador no Empreendedorismo

Leandro Vieira

“Não inovar é a única e maior razão para o declínio das organizações existentes. Não saber administrar é a única e maior razão para o fracasso de novos empreendimentos.” Peter Drucker

Os profetas do empreendedorismo estavam certos: para uma economia funcionar, é necessário empreender. O empreendedorismo conduz ao desenvolvimento econômico, gera e distribui riquezas e benefícios para a sociedade. Os empreendedores são realmente os grandes propulsores da economia.

Tenho especial admiração pelo esforço que diversas instituições como o SEBRAE , o IEL, a ENDEAVOR , a ANPROTEC, além de universidades, incubadoras e empresas juniores, têm dedicado à disseminação da cultura empreendedora. Porém, é importante nos questionarmos: empreender apenas é o suficiente?

Tenho calafrios sempre que visito a página do IBGE. Em um estudo realizado no ano 2000, constatou-se que a cada 10 novas empresas criadas, outras 6,45 são fechadas. Logicamente, é no sentido de atenuar esse quadro que a disseminação do espírito empreendedor encontra a sua principal razão. Por outro lado, parece-me que temos empreendedores de mais e (bons) administradores de menos.

A situação é a seguinte: aproximadamente 93% das empresas criadas a cada ano são compostas por apenas quatro pessoas. Também existe uma forte relação entre o porte do empreendimento e as suas condições de sucesso: quanto menores as empresas, maior a taxa de mortalidade. As entidades citadas no início do artigo concentram-se em dotar os empreendedores com as ferramentas básicas da gestão empresarial. O que podemos perceber é que tais conhecimentos não têm sido o suficiente para garantir-lhes um lugar ao Sol.

Os empreendedores acabam se deparando com situações não previstas em seu plano de negócios e aí entra uma nova variável não incluída no estudo do IBGE: quanto menor for o conhecimento do empreendedor em Administração de Empresas, maior a possibilidade de fracasso de seu empreendimento.

Deve-se acabar com a ilusão de que apenas empreender é o suficiente. É preciso que se entenda que uma empresa se constrói no dia-a-dia, através de um fluxo contínuo de resolução de problemas, gerenciamento de conflitos e de jogos de interesse, tomada de decisões, relacionamento com clientes e fornecedores, gestão de pessoas e de recursos - um processo intenso de planejamento, organização, direção e controle, para relembrar as funções clássicas delineadas por Fayol. Em resumo: os empreendimentos precisam ser administrados para que possam gerar resultados satisfatórios e progredir.

Peter Drucker já afirmava que tentar dissociar a Administração de Empresas do Empreendedorismo seria o mesmo que dizer que “a mão do violinista que dedilha as cordas e a mão que comanda o arco são ‘adversárias’ ou ‘mutuamente exclusivas’”. O empreendedor deve saber administrar, assim como o administrador também deve ser dotado de forte espírito empreendedor. Somente assim construiremos empresas duradouras e bem sucedidas.

E então: o espírito empreendedor é necessário? Sim. É fundamental. Mas esse espírito precisa encontrar um corpo capaz de administrar negócios, caso contrário, de nada adianta…

Sobre o autor:

Leandro Vieira - Mestre em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Administrador de Empresas pela UFPB e bacharel em Direito pelo UNIPÊ. Tem MBA em Marketing, pelo Instituto Português de Administração e Marketing (IPAM) e Certificado em Empreendedorismo pela Harvard Business School. Foi professor da Escola de Administração da UFRGS. Criador e Editor do Portal www.administradores.com.br.

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Jogos se consolidam

Jogos e desafios que simulam situações de negócios para incentivar o empreendedorismo entre os jovens têm conquistado espaço como porta de entrada para o mundo empresarial. Por meio dessas competições, a teoria aprendida nas universidades pode ser colocada em prática. Elas são também uma forma de exercitar a venda de um projeto e de aguçar a atitude empreendedora. Neste mês terminam as inscrições para duas das mais famosas competições de empreendedorismo: o Desafio Sebrae (inscrições até o próximo dia 30) e o Desafio GV-Intel de Venture Capital e Empreendedorismo (até o dia 28).

Para Francisco Barone, coordenador do Programa de Estudos Avançados em Pequenos Negócios, Empreendedorismo e Microfinanças (Small) da Fundação Getulio Vargas (FGV/RJ), participar desses programas é também uma oportunidade de aumentar a rede de relacionamentos e de agregar valor ao currículo dos jovens empreendedores. “Se bem-sucedido em um desses programas, o participante pode receber o apoio de instituições para concretizar a empresa. É, sem dúvida, um estímulo ao empreendedorismo“, destaca Barone.

O Desafio Sebrae, que está em sua nona edição, surgiu da percepção de que o jovem se preocupa mais com seu futuro profissional do que com questões ligadas a sexo e drogas, conforme informa o diretor-superintendente do Sebrae/RJ, Sergio Malta. A partir daí, foi firmada uma parceira com a Coppe, que reúne os cursos de pós-graduação em engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A Coppe executa o programa e é responsável pela criação do software que simula o ambiente de negócios no qual os participantes competem.

O jogo tem três etapas estaduais, todas virtuais, nas quais os estudantes jogam pela internet. Além disso, há etapas presenciais, duas nacionais (semifinal e final) e uma internacional, onde a estrutura do jogo muda, sendo adotado o regime de imersão. Na edição deste ano, os participantes terão de administrar uma empresa de calçados femininos. Curiosamente, Malta destaca que a procura pela atual edição do jogo é predominantemente masculina, com 21.564 homens contra 13.810 mulheres inscritos em todo o País, até a última terça-feira.

Durante o Desafio Sebrae, o jovem ganha competitividade com experiência de administrar uma empresa, em equipe, em um ambiente que simula o mercado. Malta afirma que os participantes têm a oportunidade de testarem suas capacidades de tomada de decisão e de buscar soluções. O objetivo do Sebrae, diz ele, é capacitar os futuros profissionais a partir do estímulo ao empreendedorismo. Pesquisas da entidade apontam que 15% dos participantes abrem uma empresa após o desafio.

Bicampeão do Desafio Sebrae, nas etapas de 2004 e 2005, Renan Maldonado hoje é sócio da 2Tech, empresa de tecnologia resultante de sua participação na competição. Segundo ele, o jogo é uma ferramenta técnica muito boa, que mexe bastante com o aspecto comportamental. “Você se envolve com todo o universo empresarial. É um jogo virtual, mas que traz uma realidade forte, onde há simulação do mercado, observação da concorrência e troca de idéias. Depois da primeira participação fiquei com a idéia de abrir uma empresa. Mas foi em 2005 que ganhei maturidade empreendedora e abri a 2Tech“, salienta o empresário.

Leonardo Ferreira é outro participante que colocou em prática os ensinamentos absorvidos durante do Desafio Sebrae, em 2005. Há nove meses a Promovip Saúde, empresa prestadora de serviços no ramo de educação física, saiu do papel e começou a captar os primeiros clientes. “Fui convidado por amigos a participar do jogo e a experiência foi ótima. Conheci o mundo empresarial a fundo e transferi para a realidade todos os ensinamentos“, afirma ele.

Já o Desafio GV-Intel de Venture Capital e Empreendedorismo começará no próximo mês sua terceira edição. O objetivo do desafio é incentivar o empreendedorismo e a criação de negócios no ambiente acadêmico. Tiago de Melo Cruz, coordenador-geral da competição, explica que podem participar alunos de graduação e pós-graduação, recém-formados e empresas incubadas que não tenham recebido aporte de capital superior a R$ 250 mil.

No GV-Intel, os participantes devem ter projetos de tecnologia e desejar implementar seus empreendimentos, uma vez que a competição busca idéias promissoras orientadas ao mercado global. Cruz explica que os critérios para seleção dos planos de negócios apresentados são consistência, idéia inovadora, viabilidade da criação do negócio e capacidade de globalização.

A disputa é promovida pela Intel e o Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital (GVcepe) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP). Os planos selecionados receberão treinamento especializado. “Nesta edição teremos duas sessões de mentoring. Consultorias de negócios de renome analisarão, opinarão e proporão melhorias nos planos de negócios dos grupos classificados“, comenta o coordenador.

A cada ano, Cruz observa que o número de interessados aumenta, tendo dobrado a quantidade de inscritos. De acordo com ele, esse tipo de competição oferece aos estudantes um ambiente seguro para testar sua idéia de empreendimento, com um custo praticamente nulo.

Fonte: Jornal do Commercio

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Estratégias da Universidade do Grelhado

Pensando ainda mais longe na ampliação de sua rede de restaurantes, as irmãs sócias da Companhia do Grelhado, Élida e Monimarcia Andrade, decidiram investir pesado na capacitação não somente de seus funcionários como também de seus fornecedores. Uma forma ousada e pouco conhecida já está sendo utilizada pelas empresárias para isso: o centro de treinamento. Após conseguirem adequar sua marca para o sistema de franquia, as irmãs agora têm como meta maior a normatização de todos os procedimentos e produtos das lojas Companhia do Grelhado dentro deste centro, conforme seus padrões de exigência.

A necessidade de construção de um centro de produção para as lojas fora do espaço em que elas funcionavam surgiu há sete anos, quando a demanda de clientes aumentou o fluxo de mercadorias e o espaço disponível para o pré-preparo dos pratos se tornou insuficiente. As irmãs trocaram, então, o mezanino das lojas por um balcão capaz de comportar a produção de até cinco lojas, embora na época elas possuíssem apenas duas.

Passaram a trabalhar a matéria-prima dos pratos no galpão, localizado próximo ao shopping onde existiam as lojas. Com tanto espaço, ela perceberam que ali também poderia acontecer o treinamento dos funcionários e novatos, como já acontecia antigamente, mas na própria loja. Aberto a tantas capacitações, o centro ganhou o nome de Universidade do Grelhado. Nele, criam-se novos produtos para a rede, se ensina o como fazer e os procedimentos operacionais da loja, se desenvolve novos equipamentos e ainda se capacitando todos os envolvidos no processo.

Mas o nome Universidade do Grelhado e seu sentido são, na verdade, uma estratégia de produção já usada por muitas redes de ‘fast food’ em todo o mundo. Elas reúnem suas produções de matéria-prima e capacitações de funcionários em um só espaço. Mas vão além: capacitam também seus fornecedores, de quaisquer tipos de produto, conforme desejam receber deles a mercadoria para utilização em sua empresa. Assim, têm maior controle da qualidade e do aproveitamento conforme seu padrão. Essa estratégia foi apresentada a Élida e Monimarcia pela empresa de franquias, quando ainda estavam se capacitando para aderir a este sistema.

A estratégia agradou e funcionou. A empresa das duas irmãs já praticava algo parecido e tinha o local ideal, só precisava profissionalizar a atuação. De fato, começaram a criar uma Universidade do Grelhado onde antes era somente o centro de treinamento. Ali, elas já começaram a capacitar, além dos funcionários de todas as lojas e da franquia, alguns fornecedores. Os primeiros a passarem pela experiência foram os fornecedores dos bifes. O açougueiro da Companhia do Grelhado ensinou a eles como preparar os bifes conforme as lojas precisam. Hoje, elas recebem do fornecedor a carne pronta para ser preparada e de acordo com seus padrões de qualidade. “O objetivo é ter fornecedores que lhe dê seu produto na qualidade que você quer”, explica Élida.

Com a Universidade do Grelhado, elas pretendem capacitar fornecedores de todos os tipos de matéria-prima e produtos que utilizam em seus pratos e serviços, desde as verduras até as embalagens para viagem. A idéia é capacitar quaisquer empresas fornecedoras interessadas em aprender o padrão da Companhia e depois cadastrar em um banco de dados aqueles que conseguirão fornecer o produto de acordo com suas exigências. “Desenvolvemos o produto ou o método como queremos e depois escolhemos quem tem condições de nos fornecê-lo do jeito que elaboramos”, detalha.

Atualmente, a Universidade está desenvolvendo os molhos utilizados nas lojas e as embalagens para viagens. Uma vez finalizados conforme desejo das proprietárias, serão apresentados aos interessados, que poderão se capacitar ali para prepará-los e, posteriormente, se tornarem seus fornecedores. “Quero fazer assim com todos os produtos. Não quero me preocupar em fornecer produtos nem para minhas lojas próprias”. Os fornecedores cadastrados servem também paras as franquias da rede e são responsáveis ainda pela logística da entrega.

É a maneira de crescer. Queremos crescer nesse formato, começando certo para crescer certo. Dessa forma eu ganho porque garanto a qualidade do meu produto tanto para minhas lojas próprias quanto para as filiais, fortalecendo assim a rede toda”, justifica Élida o investimento nesse formato de produção e capacitação.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias (ASN Goiás)

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Porque fazer administração?

Por Bruno Ferrer

Esta é uma pergunta que muitos já fizeram antes de preencher aquele espaço em branco na folha de inscrição do vestibular. Um momento tenso, essa é a hora em que você decide se quer virar um empresário ou realizar aquele sonho antigo de ser uma estrela do rock ou jogador de futebol; alguns ainda pensam em ser astronautas, mas pra esses eu já não vejo muita salvação.

Uns irão dizer que decidiram trilhar esse caminho por ser um curso abrangente e que possibilita trabalhar em muitas áreas (um argumento interessante pra quem tem apenas 17 anos e não sabe muito bem o que fazer; adiar em mais 2 anos a decisão é um bom negócio), outros verem nesse curso o caminho para o sucesso, poder e dinheiro, e outros porque ouviram falar que é fácil passar e tem muita festa. No meu caso, resolvi cursar administração pelo fato de ter crescido vivendo dentro desse mundo de empresas. Que criança nunca quis ir trabalhar com o pai? Bem, eu gostava de ir trabalhar com ele e ele gostava de trazer o trabalho pra casa, logo pode-se dizer que desde criança eu já sabia mexer numa HP e analisar relatórios.

Há pouco tempo li um livro chamado Cartas a um jovem Administrador, mas isso já no 5° período. Ufa! Pelo menos eu já sabia que tinha feito a escolha certa, mas para quem está entrando agora nesse mundo vale a pena a leitura (aliás, vi pela primeira vez esse livro na mão de um calouro). Chiavenato (é, se você acha estranho esse nome pode se acostumando, você vai escutar bastante pelo resto da sua vida) escreve e descreve o que é ser um administrador em pequenas cartas, cada uma com um tema diferente, e vai além do mundo empresarial. Mostra e dá conselhos sobre a vida pessoal, equilíbrio com o trabalho e relacionamentos e sobre alguns buracos e tropeços que todos nós vamos passar.

Nada mais coerente do que começar a escrever sobre administração falando sobre um livro desses. E se você não ficar arrepiado e se encantar com pelo menos uma delas, acho melhor dar uma pesquisada no que realmente é administração, ou então me ignorar, meter a cara e ver no que dá. Considero dois caminhos justos, afinal, quantas vezes já não disseram que você não conseguiria e você conseguiu?!

Sobre o Autor:

Bruno Ferrer - Autor do blog Uma Tal de Administração. Futuro administrador e atual estudante de Administração da PUC-Rio, um universitário carioca como qualquer outro, e agora escritor, colaborando com artigos sobre essa dura vida de aspirante à empresário todas as quintas-feiras no Administrando.

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